"Fotografia em preto e branco, formato retrato. Exposição sobre a construção da nova capital do Brasil, Brasília, na Feira Internacional do Campo em Madri, Espanha, em 25 de maio de 1959. Em destaque, diversas figuras humanas masculinas estão observando o expositor com o desenho do Plano Piloto de Brasília e de um mapa que pressupõe-se ser das rodovias que interligam Brasília. Uma dessas figuras é o embaixador brasileiro João Pizarro Gabizo Coelho Lisboa (1899-?) o qual está olhando e apontando para a expositor. Ele foi embaixador em Madri entre os períodos 02/07/1956 e 14/06/1963. Todas as figuras masculinas estão com vestes formais (paletó, calça e gravata). Ao fundo, uma fotografia da fachada frontal do Palácio da Alvorada e uma placa escrita “Brasil” logo acima.
CONTEXTO HISTÓRICO DAS EXPOSIÇÕES:
“Há um grande e permanente interêsse, em todo o mundo, pela edificação da nova capital do Brasil. A obra arquitetônica e urbanística, bem como o alcance econômico, político, administrativo e social de Brasília, são objeto de numerosas reportagens, comentários e estudos nos principais órgãos estrangeiros. A experiência de Brasília, pelo que encerra de novidade revolucionária e de arrojado pioneirismo, é apreciada nos seus pormenores e divulgada em têrmos que satisfazem ao mesmo tempo a atenção dos técnicos, políticos e administradores, e à curiosidade da opinião pública.” (Revista Brasília - nº 8, p. 14, 1957).
CONTEXTO HISTÓRICO DA EXPOSIÇÃO NA FEIRA INTERNACIONAL DO CAMPO EM MADRI:
“Atendendo ao desejo de Juscelino em tornar internacionalmente conhecida a grande obra de seu governo, foi realizada em Madri a Exposição Brasília. Inaugurado na Feira Internacional do Campo, o stand brasileiro contou com a visita dos principais ministros do governo espanhol além da visita de Francisco Franco e sua esposa. Segundo o relatório diplomático do “Mês cultural”, o Generalísimo visitou demoradamente a exposição, “demonstrando grande interesse em conhecer pormenores de vários dos principais edifícios de Brasília.” Coelho Lisboa afirmou também que Franco teria observado que assim como Brasília, Madri era uma das raras, senão a única capital que ocupava o centro geográfico do país. A alegação oficial de que a nova capital promoveria a integração do país certamente chamou a atenção do Caudillo, que via a posição geográfica de Madri um símbolo do que almejava em termos culturais e políticos: unidade e centralismo.” (SOUZA, 2009, p.243).
CONTEXTO HISTÓRICO DO PALÁCIO DA ALVORADA:
O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nível Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021."