- DFARPDF NOV-D-04.04-B-10-67
- Item
- 1957 - 1959
Parte de Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil - NOVACAP
"Fotografia em formato retrato, preto e branco. A imagem retrata o canteiro de obras da barragem do lago Paranoá com destaque para o eixo de marcação do futuro corpo da barragem, ao centro, que se inicia no instrumento topográfico de medição em primeiro plano e se extende até a faixa de vegetação no topo do morro. Em primeiro plano, observa-se o instrumento de medição topográfica em madeira ressaltado pela pintura na cor branca, que permite sua vizualização em longas distâncias. Em segundo plano, o solo exposto com marcas dos maquinários evidencia a movimentação de terra no local, e à esquerda um Jeep Willys estacionado ao lado de uma figura humana não identificada. A encosta, ao fundo, modificada pela retirada de parte da vegetação nativa foi identificada nos relatórios técnicos de obra como ""ombreira direita da barragem"", onde estão dispersos montes de galhos e troncos de árvores caídas resultantes do desmatamento no local, observam-se na faixa de vegetação densa preservada árvores de médio a grande porte e palmeiras dispersas. A vegetação em primeiro plano composta por gramíneas, subarbustos e árvores é caracterísica de uma área nativa de Cerrado. A árvore de tronco retorcido à direita está presente também nos itens B.10(63), B.10(65) e B.10(68), o que nos permite identificar o local do registro. O marco em primeiro plano está localizada no limite do canteiro de obras da barragem, demarcado pelas estacas de troncos retirados do próprio local, que formam a cerca logo atrás do instrumento de medição. O registro marca um momento importante para a formação do lago Paranoá, quando foram realizadas as primeiras marcações da futura barragem. O automóvel Jeep Willys foi amplamente utilizado durante a construção de Brasília por sua resistência às estradas de terra.
CONTEXTO GERAL:
A primeira menção ao lago Paranoá, em 1893, deve-se ao botânico Auguste François Marie Glaziou (1828-1906), membro da Comissão Cruls, quando esse identificou um vale banhado pelos rios Torto, Gama, Vicente Pires, Riacho Fundo, Bananal e outros. A extensa planície propícia à cobertura de água que atingiria cota variável entre 990 e 1.000 m está entre dois grandes chapadões conhecidos na localidade por Gama e Paranoá. A ideia de formação do lago através da construção de uma barragem no rio Paranoá foi incorporada ao edital do concurso do Plano Piloto de Brasília como elemento obrigatório desse em 1955. (SILVA, 2006, p.296). Junto ao projeto do lago e barragem foi idealizado a Usina do Paranoá como solução ao problema de oferta de energia elétrica aos habitantes da nova capital. O lago ornamental formado pela barragem a jusante do rio Paranoá e limitado pelos rios Bananal e Gama teve como motivo paisagístico o embelezamento da cidade e atração para atividades de lazer. O alagamento da extensa planície implicou no desvio do rio Paranoá e consequente alteração da paisagem ocupada pelos moradores nativos da região. A construção da barragem se iniciou no final de 1957, com o desvio do rio Paranoá, e foi concluída em 1959 com o início da formação do lago. A obra envolveu diversas empresas como a Planalto, a Portuária, CCBE, Camargo Correia, Rodobrás e Geotec e demandou a criação de um acampamento provisório em 1957 para abrigar os operários e engenheiros da empresa construtora, que estava em uma área hoje inundada pelo lago. À medida que as obras da barragem avançavam, o acampamento ia para uma cota mais alta, dando origem posteriormente à Vila do Paranoá, onde hoje situa-se o Parque Ecológico do Paranoá. Durante a construção foram montadas diversas pedreiras para a obtenção de matéria-prima como areia, cascalho e brita. A barragem é de terra, com núcleo de argila, enroncamento no talude de montante e grama no talude de jusante. Sua extensão é de 630 m (600 em terra e 30 em concreto) e altura de 48 metros, com o nível altimétrico de crista de 1004,3 m.
ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DA BARREGEM:
A construção da Barragem do Lago Paranoá foi marcada por uma obra conturbada devido a sua grandiosidade, aos curtos prazos e mudanças de empresas contratadas para execução da mesma. Esse processo pode ser divido em principais etapas. Sendo a demarcação e terraplanagem correspondente aos primeiros momentos da obra onde foi marcado o eixo do corpo da barragem, assim como ralizadas as sinalizações do canteiro. Ao mesmo tempo iniciou-se o levantamento do primeiro acampamento de apoio, junto a retiradas da vegetação nativa e movimentações de terra. Em seguida deu-se inicio à escavação da trincheira de impermeabilização e do canal para passagem do conduto ou galeria de desvio, que correspondem, respectivamente, ao corte longitudinal feito no solo para abrigar a cortina de impermeabilização com injeção de pasta de cimento que dará sustentação estrutural ao corpo da barragem e ao canal linear transversal (perpendicular ao corpo da barragem) feito para acomodar o Conduto de Desvio do rio. Assim que realizado o conduto, estrutura em concreto armado, com seção de 3,00 x 3,60 m, utilizada para o desvio do curso d’água por baixo da barragem, foi iniciada a ensecadeira, em solo compactado, para absorver a água do curso natural do rio Paranoá que não foi deslocada para o conduto. Com essas estruturas finalizadas e em funcionamento foi possível construir o então corpo da barragem em terra para suportar o represamento de água do futuro lago e onde também uma futura pista de asfalto conectou as duas margens do rio. Por fim, foi construído o vertedouro, em concreto armado, composto por três comportas de vão livre para o controle de vazão e escoamento de água excedente do lago, a adutora de água para a Usina do Paranoá e a pista asfaltada que conecta a barragem ao Lago Sul."
Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil