Fachada lateral sul

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NOV.B.2 (579)

  • DFARPDF NOV-D-04.04-B-02-579
  • Item
  • 1958
  • Part of Untitled

"Fotografia em preto e branco, formato paisagem, autor desconhecido. Imagem da fachada posterior (leste) e da fachada lateral sul do Palácio da Alvorada durante a construção. Em primeiro plano, há uma grande área de solo exposto com marcas que indicam a passagem de veículos no sentido horizontal do registro. Ao fundo, sobre ele, estão presentes agrupamentos de ripas de madeira, uma escada de madeira e amontoados de areia e terra, esses mais próximos da edificação, indicando um canteiro de obras em plena atividade. Em um desses amontoados, ao centro da fotografia, há três operários, sendo que um deles aparece de costas para o fotógrafo segurando uma pá. Em segundo plano, do lado direito, a escada de acesso à área da piscina está com sua volumetria concluída, não sendo possível identificar se já possui o revestimento de pedra instalado. O volume da piscina também é retratado, entretanto o ângulo do registro quase não permite sua visualização, tornando mais evidente apenas os três trabalhadores dispostos de forma dispersa na proximidade do equipamento recreativo. Um poste de energia elétrica, localizado ao lado do segundo degrau da escada, fornece infraestrutura elétrica para o canteiro de obras. Ainda, três homens, sobre o primeiro degrau, observam a quinta colunata (da esquerda para a direita) da residência oficial, ao mesmo tempo que um operário está em pé, no nível do solo, apoiado sobre essa estrutura.
Em terceiro plano, vários trabalhadores são registrados atuando na finalização da obra do volume principal, sendo que a maioria está concentrada no nível do solo, à esquerda da fotografia, enquanto os demais estão dispersos na parte coberta da edificação ou em andaimes. Essa aglomeração ocorre devido a etapa da obra registrada, de finalização, momento em que foram feitos os acabamentos, a finalização da aplicação dos revestimentos e a vedação do núcleo da habitação pela pele de vidro. Da esquerda para a direita, há dois grandes andaimes, aderidos à primeira coluna (semi-coluna de canto) e à terceira. A fachada da edificação aparece em fase final de conclusão, portanto, no retrato, a pele de vidro está sendo instalada, sendo que a fachada sul está completamente finalizada, enquanto a fachada leste aparece com os caixilhos e montantes montados, mas em estágio de colocação dos vidros de vedação. Simultaneamente, é possível identificar que a laje da varanda do pavimento superior, localizada do lado direito da fotografia, ainda está suportada por elementos de cimbramento, o que demonstra as várias atividades que eram desempenhadas no canteiro de obras em uma mesma etapa de trabalho. O caráter translúcido do material empregado na vedação externa permite visualizar operários trabalhando na parte interna do edifício. Estruturas de madeira aparecem, do lado esquerdo, na cobertura do Palácio. Ao fundo, à direita, é possível identificar a capela também na etapa de inserção do revestimento. Por último, em terceiro plano, há a vista do horizonte com poucas marcas evidentes de alteração na paisagem natural do cerrado.

CONTEXTO HISTÓRICO DO PALÁCIO DA ALVORADA:
O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nível Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021.

CURIOSIDADE: O Palácio da alvorada possui 12 colunatas na fachada posterior (leste) e 10 na fachada principal (oeste), sendo que as de canto são formadas por uma semi-coluna. A forma definitiva é resultado, especialmente, do projeto estrutural, de Joaquim Cardozo (1897 - 1978). Portanto, a curvatura estabelecida foi definida pela função de 4º grau y= 0,037x⁴ - 0,190x³ + 0,381x² -0,048x (ALMEIDA, 2012, p. 86).
Ainda sobre as colunas e a capela, o cuidado com tais elementos, por meio da realização de protótipos, é evidente em declarações de Oscar Niemeyer, tal como a feita na Revista Módulo, número 15, de junho de 1960, em que menciona: “Apesar dos prazos curtos demais que Brasília nos dava, com que carinho procuramos construir seus palácios. Lembro a coluna do Alvorada construída no chão, na escala natural, para a fixação perfeita das placas de mármore que a deveriam revestir. O mesmo ocorreu com a capela, feita primeiro em tijolo com o mesmo objetivo”."

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