Elefante

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NOV.B.08 (18)

  • DFARPDF NOV-D-04.04-B-08-18
  • Item
  • 1956 - 1960
  • Part of Untitled

"Fotografia colorida; Formato paisagem; Autor desconhecido.
A imagem fotográfica apresenta uma vista aérea de um recinto com um elefante centralizado sobre terra batida. Assim, o espaço dedicado ao animal ocupa mais da metade da imagem, abrangindo tanto o canto inferior esquerdo quanto o centro horizontal e o canto inferior direito. O cercado de madeira, situa-se em parte do canto central esquerdo em direção diagonal e se encontra em uma quina do cercado, na parte superior esquerda; a continuidade do cercado na direção diagonal de cima para baixo, chega até o centro da margem vertical da fotografia. Na parte externa do fechamento, no canto superior esquerdo, existe um recinto de animal cercado em formato circular e gramado ralo (incerto se de gramíneas nativas ou exóticas); no canto superior direito também existe área campestre de Cerrado, porém nessa parte pode se identificar a modificação do ambiente pela ação humana, caracterizada tanto por um amontoado de terra, quanto por um caminho criado por rodas de automóveis, situado entre o cercado circular e o gramado. Na parte interna da cerca, encontra-se o elefante que está preso por uma corda amarrada em uma de suas patas e fixada em uma estaca de madeira. Ainda dentro do recinto, no canto inferior esquerdo, pode ser identificado um curso d’água que vai até o amontoado de terra, do lado de fora da cerca.
Sobre o momento que o mamífero chegou ao recinto, o Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Daniel Silva (2001), contextualiza que: “[...] Nely, uma fêmea de elefante asiático (Elephas maximus), foi o segundo animal registrado, em 06 de dezembro do mesmo ano. Nely veio de um circo e seu nome original era Detefon” (SILVA, 2001, p. 43). Segundo Gizella Rodrigues, em um texto exposto no site da Agência Brasília, (RODRIGUES, 2019, p. 3) no cadastro do mamífero, presente na documentação da instituição, a fêmea foi “[...] citada [...] em uma folha rasgada escrita à mão [...]” no “Livro de Registros do Zoológico”.
Informações adicionais:
O Plano Diretor do complexo de lazer e de preservação ambiental foi elaborado pela arquiteta Márcia Nogueira Batista e pelo veterinário Clovis Fleuri Godoi. Segundo o site da Fundação Jardim Zoológico de Brasília - FJZB - (2022), o Jardim Zoológico de Brasília, foi inaugurado em 06 de dezembro de 1957 e é a primeira instituição ambientalista do Distrito Federal. Ainda, quando foi inaugurada, segundo o Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Daniel Silva (2001), a instituição esteve associada à NOVACAP e em “[...] 1961 o jardim zoológico foi denominado Parque Zoobotânico e passou a estar vinculado à Fundação Zoobotânica do Distrito Federal (FZDF). [...]” (SILVA, 2001, p. 43.)
Sobre o responsável pelo o Zoológico, o Diário Oficial de Brasília (1956-1957) informa que na “quarta-feira, 24 de julho de 1957: Jardim Zoológico – Chega em Brasília o Senhor Clóvis Fleury de Godoy, encarregado de organizar e dirigir o Jardim Zoológico de Brasília. ” (BRASIL, 1960, p. 112). Ainda, essa mesma fonte, na “sexta-feira, 6 de dezembro de 1957”, apresenta que “[...] Lavra-se ata das primeiras doações recebidas pelo Jardim Zoológico de Brasília: guariba, jaó, gaviãozinho, raposa do campo, tatu-galinha, elefante mutum, juriti e lagarto teiú.” (BRASIL, 1960, p. 146).
Segundo Gizella Rodrigues no site da Agência Brasília (RODRIGUES, 2019, p. 3) informa sobre a origem da elefanta, nomeada por “Nely”, que foi trazida para o recinto expositivo, o site informa sobre o cadastro do mamífero na documentação da instituição, assim o animal foi “[...] citada [...] em uma folha rasgada escrita à mão [...]” no “Livro de Registros do Zoológico”.
As próximas informações adicionais, tratam-se de fragmentos de materiais de Jornais sobre a elefanta Nely, que foi encontrada no Acervo Institucional do Jardim Zoológico de Brasília, sendo o quantitativo de quatro sobre a temática, a primeira de Cristina Ávila (1997); o segundo de Heberth Gomes (1994); o terceiro o autor está sem identificação, mas o subtítulo “Elefanta foi artista de circo” (ZOOLÓGICO, 1993); o quarto com situação similar a anterior contém o título “Zôo festeja aniversário preocupado com limpeza”.
Ainda sobre o contexto da vida da elefante no Zoológico, Cristina Ávila (1997) apresentou em uma matéria de jornal sobre a morte da elefante ao afirmar: “Nely era indiana e viveu 37 anos nos Zoológico. Chegou em 18, em dezembro de 1957, antes da inauguração da cidade. Fazia shows para os operários que construíam a capital. Fez parte da infância de muita gente grande que, em janeiro de 1994, se comoveu com sua morte. ” (ÁVILA, 1997).
Em outro arquivo jornalístico, de autoria de Heberth Gomes (1994) apresenta: “A elefanta Nely, que agonizou durante 17 dias, vítima de uma artrose crônica que atacou sua pata dianteira, morreu ontem às 14h30, ao sofrer uma parada respiratória após ter sido colocada num jirau especial. A morte de Nely comoveu funcionários e veterinários do zoológico que vinham fazendo de tudo para salvar a elefanta. Nely tinha 54 anos e era o animal mais antigo e querido do zoológico, onde chegou em 1957 ao ser doado ao presidente Juscelino Kubitschek.
Nely foi enterrada ontem mesmo, às 18h, numa área reservada do zoológico. Por ser um animal do patrimônio público foi submetida a autópsia pelos veterinários Augusto Finageiv, Lúcia Magalhães e Adriana Melo. O enterro de Nely não pode ser acompanhado pela imprensa e nem pelas pessoas que visitavam o zoológico. O zoológico permanecerá aberto neste final de semana, apesar de Arthur Seabra, administrador interino ter cogitado em fechá-lo devido a morte da Nely.
Segundo a veterinária Lúcia Magalhães, a elefanta Nely morreu de forma tranquila e em poucos segundos, após ter sofrido a parada respiratória. Ao presenciar a morte da elefanta. Valter Pereira que cuidava de Nely há 27 anos, teve uma crise nervosa e chorou abraçado ao animal. Várias tentativas para reanimar Nely foram realizadas pelos veterinários e ela não reagiu. Ao ficar de pé com ajuda de um guindaste. Nely estava com o lado esquerdo ferido por ter ficado deitada durante 17 dias.
A operação para pôr Nely em pé teve início às 6h. Cuidadosamente, os funcionários do zoológico, Nova Cap e da Fundação Zoobotânica içaram a elefanta diante dos olhares atentos dos veterinários. Às12h30, Nely foi colocada no jirau, onde ficaria por tempo indeterminado numa rede que manteria erguida e facilitaria a sua circulação sanguínea. Na nova posição, a elefanta teria também suas funções vitais ativadas, conforme o veterinário Augusto Finageiv.
Segundo a veterinária Lúcia Magalhães, colocar Nely de pé era a única alternativa dela reagir à doença. ” (GOMES, 1994).
Em um outro fragmento de jornal, do acervo do Jardim Zoológico de Brasília, intitulado “Elefanta foi artista de circo”, foi possível encontrar informações da origem da elefanta e como o animal se chamava antes de habitar o recinto do Zoológico.
“A Elefanta Nely teve seus dias de glória. Foi ‘garota propaganda’ do inseticida Detefon e chegou a Brasília em 1957 para inaugurar o Zoológico da cidade. No Zôo, Nely era atração no teatro de arena, exibindo tudo que tinha aprendido quando se apresentava no circo Sarrazini, em São Paulo. Nely nasceu em Zande, no Sudão, e chegou ao Brasil em 1930. Doada ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, Nely passou a incorporar a história da nova capital e conquistou o carinho da criançada.
Na época, Nely era conhecida como a elefante Detefon. O nome não soava bem e o animal foi ‘rebatizado’ de Nely. Para os frequentadores do Zoológico, Nely simbolizava a longevidade e a sabedoria. Baseado nestes conceitos, um grupo de idosos da Assessoria Especial da Terceira Idade (Aeti), adotou Nely. Faceira, a elefanta foi atração de várias gerações que se divertiam com as estripulias do animal.
Porre – Certo dia, Nely saiu para um passeio no Zoológico e encontrou uma garrafa de cachaça camuflada numa moita. A bebida tinha sido escondida por um funcionário e Nely, utilizando sua habilidosa tromba, bebeu a cachaça. O resultado foi um ‘porre’ que ficou registrado com muito bom humor na história do Zoológico.
Ao completar 54 anos, ano passado, Nely teve bolo com velas e o tradicional ‘Parabéns pra você’. O viveiro de Nely foi caprichosamente enfeitado e ela agradecia a homenagem andando de um lado para outro balançando a tromba. Mas não era só a elefanta que estava empolgada com a festa. Uma animada platéia com crianças e idosos também estava feliz por comemorar o aniversário de Nely.
A elefanta tinha centenas de fãs. Entre eles, Valter Pereira que cuidava de Nely há 27 anos. O primeiro contato que Valter teve com a elefanta foi em 1957 quando ela viajava com destino a Brasília. Na época, Valter tinha 12 anos e residia em Anápolis. O animal parou na cidade parou na cidade e Valter se aproximou oferecendo-lhe uma banana. Nely o afastou pela tromba. Em 1967, Valter também chegou em Brasília. Desde então, ele passou a zelar por Nely, trabalhando no Zoológico. As histórias são muitas e o tempo se encarregou de contá-las. [...] um artesanal de remédios e correntes de orações em prol da saúde da elefanta foram desencadeadas por funcionários do Zoológico e por integrantes do Grupo da Terceira Idade. Nely, por ser o animal mais antigo do Zoológico de Brasília, era símbolo do pessoal da Terceira Idade, que todas as quartas-feiras se reunia no Zoológico para visitá-la.
Terapias alternativas para curar Nely também foram usadas pelos veterinários porque antes o animal tinha se recuperado de outras crises ao ser medicado com remédios homeopáticos. Os esforços para salvar Nely não pararam por aí. A elefanta foi submetida também à musicoterapia como forma de evitar stress e, segundo Augusto Finageiv, ficava calma.
Nely, deixava transparecer que estava entendendo tudo o que acontecia em sua volta, e teve sua alimentação reforçada com mamão, abacaxi, rapadura, melancia, maçã e outras frutas. Durante o período de agonia, o viveiro de Nely foi bastante visitado por crianças que queriam a todo custo ver a elefanta. ” (ZOOLÓGICO, 1993, grifos do autor).
Em outra matéria de jornal do Cidades-DF referente ao dia 3 de dezembro de 1993, cujo título: “Zôo festeja aniversário preocupado com limpeza” com o seguinte texto: “O Zoológico de Brasília comemora hoje os seus 35 anos de existência com o lançamento da campanha ‘Zoo Tá Limpo’ para conscientizar os visitantes a não sujaram o local. Patrocinada por empresários do Distrito Federal, a campanha irá distribuir calendários, cartazes e folhetos orientando os usuários a utilizarem as lixeiras. Na entrada os visitantes receberão saquinhos plásticos, um estímulo à participação de cada um na conservação do zoológico.
As comemorações do aniversário do Zôo começaram ontem com a festa de 54 anos da elefanta Nely. Hoje, além da campanha Tá Limpo, a direção lança uma gincana de pesquisas do zoológico. No Teatro de Arena haverá a exposição de fotos ‘Quatro Décadas do Zôo’ que reúne trabalhos feitos em diferentes épocas por funcionários e outros profissionais. A Banda de Música dos Fuzileiros Navais fará uma apresentação, a partir de 10h, na área ao lado da Zôo Lanches.
O grupo de Gerência de Educação Ambiental do Instituto de Ecologia e Meio Ambiente da Sematec preparou ainda para a garotada um show de bonecos de pano. A partir de 11h, a mesma equipe do início às oficinas pedagógicas, uma de papel reciclado e a outra de pintura, na mesma área. As crianças e adultos poderão conhecer como se prepara fibras e papel velho para fazer um novo papel, além de pintar o que quiserem.
Segundo o diretor do Zoológico, Raul Gonzalez, a festa do Zôo é da comunidade, proporcionará visitantes atrações das 9h às 16h no Teatro de Arena. Os recém-chegados micos-leões deverão também atrair a atenção dos visitantes. São espécies em extinção expostos pela primeira vez num zoológico brasileiro. Neste domingo, os usuários encontrarão placas por todo o Zôo com a frase ‘Um animal de Zoológico é alvo fácil e indefeso a todo tipo de vandalismo. Respeite-o’.
As placas são parte da campanha ‘Tá Limpo’, que segundo Raul González distribuirá mais cem lixeiras na área de visitação do zoológico que contava apenas 60. A divisão do Zôo fará um trabalho ‘corpo a corpo’ para estimular a todos a se envolver com a campanha. O símbolo da ‘Zôo Tá Limpo’ é a girafa Raio de Luz que vivia ali. O animal morreu ao comer um sanduíche dentro de um saco plástico. O alimento foi dado por um visitante.
De acordo com Raul Gonzalez, a campanha será permanente e incluirá novas ações no decorrer do próximo ano. ‘O problema da limpeza dos zoológicos é cultural, por isso, teremos que mudar hábitos o que demanda muito tempo’, justificou. ”
Nesta mesma matéria, há um tópico especifico para mencionar sobre a comemoração do aniversário da elefanta, intitulada ‘Elefante Nely comemora 54° aniversário’, assim descreve:
“A elefanta Nely, o mais antigo animal do Zoológico de Brasília, comemorou ontem o seu aniversário cercada pelos amigos da terceira idade. Ao lado de uma mesa forrada com folhas de bananeira – uma das suas guloseimas prediletas – cheia de frutas e rapaduras, Nely teve que ouvir primeiro o ‘Pai Nosso’, o Hino do Idoso e o tradicional ‘Parabéns pra você’ antes de experimentar o bolo feito com melado sem manteiga, especialmente para a festa dos seus 54 anos.
O tratador Adelino Rodrigues da Silva cuidou de manter o charme da aniversariante dando a ela algumas rapaduras. Nely estava impaciente, como os demais contemporâneos da terceira idade. Mas foi só com a chegada do padrinho da elefanta, o empresário Luiz Estevão que a festa começou. Nely sacudia as orelhas e explorava a grama a sua volta com sua habilidosa tromba. Finalmente, após as rezas e as músicas, ela saboreou os presentes, começando por um abacaxi, antes o secretário de Meio Ambiente, Newton de Castro, e o empresário Luis Estevão apagaram a velas.
O aniversário de Nely que marcou o início das comemorações dos 36 anos do Zoológico, contou com a presença do diretor do Zôo, Raul Gonzales, do coordenador da Assessoria Especial da Terceira Idade, João Batista de Medeiros, do superintendente do Instituto de Ciência e Tecnologia, Paulo Alvim, e das representantes da Sociedade dos Amigos do Zoológico (Amezoo), entre outros.
Segundo João Batista de Medeiros, esta foi a primeira vez que os grupos da terceira idade são convidados para uma solenidade no Distrito Federal, o que vem demonstrar que, aos poucos, a luta pelos direitos dos idosos está sendo reconhecida.
Zôo – Com 36 anos de fundação de Brasília tornou-se referência para o País e o mundo. O tratamento dos animais só é comparado aos zoológicos de Primeiro Mundo, onde a prevenção e o tratamento de doenças valem-se de técnicas alternativas como a fitoterapia, musicoterapia, cromoterapia, acupuntura entre outras. Dezenas de projetos de pesquisa e educação ambiental pretendem avançar ainda mais no conhecimento do trato com animais em cativeiros. ” (CIDADES-DF, 1993, grifos do autor).
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