"Fotografia em preto e branco, formato paisagem. Vista interna da Igrejinha, mais precisamente, do altar. Da esquerda para a direita, escultura, figura de Nossa Senhora de Fátima com 2 m e 50 cm de altura, pesando 200 quilos, esculpida em cedro, ornada com ouro de libra e pedras preciosas pelo artista Antônio da Silva Antunes, abaixo, uma placa descritiva: “EIS AÍ TUA MÃE! Ao te ajoelhares a seus pés! Olhos de mãe te contemplam! Mãos de mãe te abençoam! Coração de mãe te consola! ”. Sobre uma base com flores; altar da Igreja com quatro castiçais, dois arranjos simples de flores e ao centro um sacrário (espaço onde se guarda objetos sagrados como a hóstia e relíquias) com uma cruz cristã sobre ela. Ao fundo, na parede do altar, o afresco de Alfredo Volpi (1896-1988). À esquerda e à direita no afresco, doze bandeirinhas, a identidade marcante de Volpi que representa seu gosto pelos objetos simples e popular, e à direita as figuras de Nossa Senhora de Fátima, segurando uma pequena flor na mão esquerda e o Menino Jesus em seu lado direito, este segurando um globo. Ambas as representações não possuem feições. No canto direito da fotografia, uma mulher negra com roupa simples e um lenço na cabeça.
SOBRE A IGREJA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA:
A Igreja Nossa Senhora de Fátima, popularmente conhecida como “Igrejinha”, erguida entre março e junho de 1958, localizada na Entrequadra Sul 307/308 na Asa Sul, foi o primeiro templo católico construído no Plano Piloto em Brasília. Este constitui um modelo de integração entre a forma arquitetônica do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e a função estrutural desenvolvidas em parceria com o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) e com a Construtora Ibira. Sua cobertura, dividida em seis lajes, está em um plano curvo apoiado em três pilares triangulares de concreto, gerando a forma de catenária (curva assumida por uma corrente ou cabo flexível suspensa fixada apenas por suas extremidades e sujeita somente à força de seu próprio peso). No topo do pilar central, sobressai a cruz cristã posicionada paralelamente à base. As paredes da vedação, compostas de concreto, estão dispostas em um plano curvo contínuo sob a projeção de sombra triangular da cobertura, sugerindo mais delicadeza a um pequeno edifício, o qual possui uma grande abertura central. Além disso, sobressai o harmonioso azulejo de autoria do artista Athos Bulcão (1918-2008) contido por toda a extensão das paredes externas. Em sua lateral esquerda e direita destaca-se a janela em fita seccionada em três partes verticalmente a qual atualmente serve como porta de acesso restrito. Já na parte posterior do monumento há cincos janelas que detém formas retangulares e quadradas ora em sentido vertical ora em sentido horizontal.
CONTEXTO HISTÓRICO DA PINTURA DE ALFREDO VOLPI:
As pinturas do afresco de Alfredo Volpi foram destruídas nos anos 1960 e substituídas em 2009, nas obras do Iphan de restauro do templo, por pinturas de Francisco de Fátima Galeno. (RAMOS, 2023, p.168 e Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, 2014, p. 142). Segundo o arquiteto Luiz Mario Xavier, que escutou de Ítalo Campofiorito (1933-2020), arquiteto e seu sócio e grande amigo e profissional de confiança de Oscar Niemeyer (1907-2012), que “O padre da Igrejinha procurou dona Sarah Kubitschek (1908-1996), disse que ninguém gostava das pinturas e pedia a liberação para pintar as paredes. Niemeyer concordou com o apagamento das pinturas. Ele falou pessoalmente com Volpi, explicando a questão. Em troca, prometeu que, na construção do Itamaraty, Volpi seria chamado para realizar uma pintura.” (RAMOS, 2023, p.121 - 122). Athos Bulcão (1918-2008) foi enfático em apontar a precariedade técnica dos afrescos volpianos. (RAMOS, 2023, p. 162). Relatos contam que as paredes com as pinturas foram atacadas por mofo. [...] Seja por questões vinculadas à iconografia, seja por questões técnicas - que um bom trabalho de restauro teria recuperado, importa sempre ressaltar -, o apagamento de Volpi da memória da Igrejinha ocorreu desde o princípio, o que indica dificuldades para o acolhimento de sua obra (RAMOS, 2023, p. 163). No processo da nova pintura, tomou-se cuidado ao colocar placas de MDF sobre as paredes e foi sobre essa superfície que as novas pinturas foram realizadas (RAMOS, 2023, p. 173).
CURIOSIDADES IMAGEM/ESCULTURA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA:
- Foi doada ao Santuário de Brasília pela Revista Portugal- Brasil, de Lisboa, representada pelos Srs. Veloso de Carvalho e Aníbal Contreiras, objetivando estreitar os laços de amizade entre Portugal e o Brasil. (REVISTA BRASÍLIA, nº 28, p. 19)
- Quarta-feira, 13 de maio de 1959: [...] Do aeroporto, a imagem é conduzida em carro especial até o núcleo bandeirante, de onde ruma então para o Palácio da Alvorada e, finalmente, ao Santuário de Fátima, doado a Brasília pela Senhora Sarah Kubitschek (1908-1996), Lemos Kubitschek. (DIÁRIO DE BRASÍLIA, Coleção Brasília VI, p. 66, 1959).
"