- DFARPDF NOV-D-04.04-B-02-296
- Pièce
- 1958 - 1960
Fait partie de Sans titre
Fotografia colorida em formato paisagem retrata a vista diagonal do Palácio da Alvorada, entre os anos de 1956-1960 em Brasília - DF. Vista do bloco principal do Palácio da Alvorada, no qual dois trabalhadores finalizam o revestimento da laje, se equilibrando sobre um andaime de madeira e ferro. Ambos vestem um macacão, porém não parecem utilizar capacetes ou equipamento de proteção individual. No período da construção de Brasília os acidentes de trabalho eram, infelizmente, comuns devido à falta de equipamentos de proteção essenciais fornecidos, além de serem escondidos os relatos das manchetes e jornais. É possível ver que, por mais que possuíam capacetes, os operários não tinham cordas, mosquetões ou apoios que o mantivessem presos à estrutura naquela vertiginosa altura. Como relatado em áudios transcritos de trabalhadores da época: ...“Você parava por ali assim, e dava uma olhada na Esplanada dos Ministérios, sempre à tardezinha, à noite. Meu Deus do céu! Parecia fogos de artifício. Era o cidadão trabalhando, peão, gente caindo, muita gente morrendo. Não cuidava muito da segurança, tinha que fazer. E foi fazendo.” (DE FARIA, 1989 apud VIDESOTT, 2009). Abaixo dos andaimes estão três trabalhadores sendo que um deles parece apoiar um dos pés na vidraça da fachada enquanto olha para a direção dos dois trabalhadores sobre o andaime. Ao seu lado direito, outro homem de camisa branca e calça escura parece fazer o mesmo tipo de ação, escorando-se na janela enquanto segura o andaime. Atrás do pilar parabolóide está outro operário que passa entre o andaime e o pilar. O Palácio estava em fase final de construção, recebendo apenas ajustes em sua laje. O posicionamento fotográfico capta a plataforma de acesso à Capela anexa ao Palácio no lado norte e parte do bloco de serviços semienterrado no quadrante inferior direito. Gramíneas plantadas estão no quadrante inferior direito, enquanto que no plano de fundo vê-se uma transição de vegetação mais escura e densa no quadrante superior direito para uma vegetação mais clara e esparsa no quadrante inferior esquerdo, vegetação essa que é pertencente ao bioma Cerrado. O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nivel Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021.
Sans titre