- DFARPDF NOV-D-04.04-B-08-35
- Item
- 1960
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"Fotografia em preto e branco, formato paisagem, autor desconhecido.
Vista da construção do Teatro Nacional Claudio Santoro pela perspectiva da plataforma inferior da Plataforma Rodoviária de Brasília (Rodoviária do Plano Piloto). Em primeiro plano, há a estrutura inferior da rodoviária completamente finalizada, entretanto, do lado esquerdo da figura existe uma pequena obra próxima à plataforma que é evidenciada pela presença de seis trabalhadores, não identificados, um caminhão, dois amontoados de terra e uma pá. Os operários presentes na imagem estão posicionados em locais distintos, sendo dois na carroceria de um caminhão e um próximo a ele, dois perto dos amontoados de terra e um mais afastado dos demais. Em segundo plano, em frente ao grande desnível de terra batida existente entre o nível inferior da rodoviária e o platô do Teatro Nacional, há um ônibus em movimento. Também são visíveis estruturas provisórias comuns em canteiros de obras, como alojamentos temporários de madeira, refletores e andaimes. Em terceiro plano, está a construção do teatro em fase de fechamento da fachada sul com placas de concreto pré-fabricadas, colocadas com o auxílio de um guindaste.
Informações adicionais:
A Plataforma Rodoviária de Brasília foi construída entre os anos de 1958 e 1963. Em 1960, a maior parte do conjunto edificado foi concluída. O projeto arquitetônico é do arquiteto Lucio Costa (1902-1998), o projeto estrutural de Bruno Contarini (1933-2021) e a empresa executora foi a Construtora Rabello S/A. A construção de concreto protendido é uma superestrutura de mais de setecentos metros de extensão e marca o cruzamento entre os eixos monumental e rodoviário da capital.
A respeito da obra, o livro Diário de Brasília, volume VII, em 19 de fevereiro de 1960, apresenta as seguintes informações: ""[...] Plataforma rodoviária - Iniciada em fins de dezembro de 1958, acha-se em sua fase inicial a construção da Plataforma Rodoviária de Brasília, obra projetada por Lucio Costa e cuja execução foi entregue pela NOVACAP a firma particular, selecionada por concorrência pública. A Plataforma, com 9 metros de altura, é um dos trabalhos mais arrojados deste grande canteiro de obras modernas e será uma das estações rodoviárias mais perfeitas do mundo. Nela foram gastos 160 mil sacos de cimento, 600 toneladas de aço duro para concreto protendido e 800 toneladas de aço de outro tipo. Terá, além das instalações comuns a tais edificações, restaurante, bar, cozinha, guarda-volumes, quatro escadas rolantes e três elevadores, com capacidade de 20 pessoas cada um"" (BRASIL, 1960, p. 89-90).
Ainda, é possível encontrar mais registros sobre o período de construção da Rodoviária do Plano Piloto em contratos de pagamentos disponíveis no acervo textual do Arquivo Público do Distrito Federal, tais como os documentos com as seguintes notações: NOV-C-1-2-0046 (14)d; NOV-C-1-4-0393 (6)d; NOV-C-1-4-0394 (21)d.
Sobre o Teatro Nacional de Brasília, seu projeto é do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e foi produzido em 1958. A obra passou por um longo período até ser completamente finalizada, iniciada em julho de 1960 e sua parte estrutural concluída em janeiro de 1961. Entre as décadas de 1960 e meados de 1970, o teatro, mesmo inacabado, era utilizado para realização de eventos. Em 1975, o arquiteto Milton Ramos (1929-2008) foi convidado a detalhar e complementar a obra, gerando mudanças significativas no prédio. Com a construção das salas concluída, em 6 de março de 1979, o teatro foi reaberto com vários problemas técnicos. A obra foi retomada e ele foi reinaugurado em 21 de abril de 1981. Integram a equipe de construção inicial: a Construtora Rabello, o engenheiro Bruno Contarini, responsável inicial pelo projeto de cálculo e acompanhamento da construção, Aldo Calvo (1906-1991), técnico de teatro e cenógrafo, engenheiro Lothar Cremer (1905-1990), responsável pelo estudo acústico completo, e Athos Bulcão (1918-2008), artista plástico, autor dos volumes presentes nas fachadas norte e sul. Já a equipe de retomada da obra, em 1975, é composta por Milton Ramos, arquiteto responsável, Aldo Calvo e Athos Bulcão, novamente contratados, Roberto Burle Marx (1909-1994), paisagista, Sérgio Rodrigues (1927-2014), arquiteto e designer de mobiliário, e Igor Sresnewsky (1913-1996), consultor de acústica.
Ainda, é válido ressaltar que, em alguns textos mais antigos, o teatro pode aparecer denominado como Teatro Nacional de Brasília, pois o nome atual, Teatro Nacional Cláudio Santoro, só foi definido em 1989, na Lei nº 37, no Diário Oficial do Distrito Federal. A antiga denominação, inclusive, aparece em um artigo presente na revista Brasília, coleção completa do 2º aniversário, de 1953 a 1954, da NOVACAP. Nessa publicação, a estética do Teatro Nacional é justificada como: ""A forma exterior, de paredes lisas, caídas, indiferentes, é apenas, (assim se expressou Oscar Niemeyer), o envólucro necessário para deixar funcionar livremente todos os tipos de teatro para o povo de Brasília"".
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