"Fotografia em preto e branco, formato paisagem extendida, autor desconhecido. Vista externa do canteiro de obras Palácio da Alvorada. Na imagem, em primeiro plano, encontra-se o terreno plano, oriundo das ações de terraplanagem realizadas no local, de solo exposto, com marcas que indicam o tráfego de veículos e maquinários pesados. Sobre ele, do lado esquerdo do retrato, há um caminhão de capota aberta e, na outra extremidade, um aglomerado de blocos cerâmicos. Em segundo plano, encontra-se o canteiro de obras do entorno imediato, delimitado por um cercamento de troncos de madeira e arame, com um grande acesso principal por meio de um portão de madeira de duas folhas. Além disso, há uma grande placa de identificação do empreendimento, mas que na imagem não aparece legível. Dentro desse cercado, há grandes amontoados de terra e areia e pilhas de blocos de concreto, dispostos, principalmente, do lado esquerdo e próximo à fachada frontal (oeste). Foram registrados, adossados ao volume principal do Palácio, três grandes andaimes de madeira, sendo que um está localizado na extremidade esquerda e os outros dois estão mais ao centro da edificação. Referente a obra, ela se encontrava em fase de concretagem dos elementos estruturais importantes, portanto, é possível visualizar as colunas já concretadas, mas com escoras, a laje do pavimento térreo também escorada, enquanto a laje de cobertura ainda estava com as fôrmas de madeira, suportada por uma grande estrutura de cimbramento, esta composta por escoras de toras de eucalipto e contraventamentos de ripas de madeira. Ainda, é importante evidenciar a presença de poucos operários no momento do registro, situados ao lado do cercamento e sobre a cobertura, cena incomum durante o período de construção. Ademais, é válido ressaltar a sutil presença de fiação elétrica que oferecia infraestrutura para o canteiro de obras
CONTEXTO HISTÓRICO DO PALÁCIO DA ALVORADA:
O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nível Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021.
CURIOSIDADE: O Palácio da alvorada possui 12 colunatas na fachada posterior (leste) e 10 na fachada principal (oeste), sendo que as de canto são formadas por uma semi-coluna. A forma definitiva é resultado, especialmente, do projeto estrutural, de Joaquim Cardozo (1897 - 1978). Portanto, a curvatura estabelecida foi definida pela função de 4º grau y= 0,037x⁴ - 0,190x³ + 0,381x² -0,048x (ALMEIDA, 2012, p. 86).
Ainda sobre as colunas e a capela, o cuidado com tais elementos, por meio da realização de protótipos, é evidente em declarações de Oscar Niemeyer, tal como a feita na Revista Módulo, número 15, de junho de 1960, em que menciona: “Apesar dos prazos curtos demais que Brasília nos dava, com que carinho procuramos construir seus palácios. Lembro a coluna do Alvorada construída no chão, na escala natural, para a fixação perfeita das placas de mármore que a deveriam revestir. O mesmo ocorreu com a capela, feita primeiro em tijolo com o mesmo objetivo”."