- DFARPDF NOV-D-04.04-B-02-529
- Item
- 1956 - 1957
Part of Untitled
"Fotografia preto e branco, formato paisagem. Visão lateral do Catetinho, todo de madeira com concreto armado e alvenaria com suas linhas simples e elegantes, advinda de sua leve influência da casa colonial brasileira e sua concepção modernista que mistura: racionalidade, funcionalidade, beleza, ausência de beiral do telhado e presença de pilotis, característica comum nos prédios residenciais de Brasília, o qual permite o livre trânsito de pessoas no térreo do edifício. Em primeiro plano, observa-se gramado natural de espécies nativas do Cerrado. Na extrema esquerda do edifício, nota-se que a parede externa esquerda está com a pintura inacabada, e possui, mais abaixo, um espaço vazio de forma quadrada. Um operário está na escada realizando o acabamento enquanto outro trabalhador está esperando-o segurando uma tábua de madeira no braço. Também inacabado, está o pilotis que encontra-se sem as mesas tradicionais de madeira próprias para refeição. O restante do “Palácio de Tábuas"" está com a cor branca característica dessa obra arquitetônica, em sua varanda, alguns membros da obra estão encarando as atividades que ocorrem perto da escada, um homem está direcionando ordens, perto da mesa de carpintaria, a um grupo de quatro trabalhadores escorados em uma árvore típica do Cerrado próximos a uma caminhonete. Ao fundo, é perceptível um operário agachado virado de costas no final da varanda. No lado direito do Catetinho, há evidência da árvore popularmente conhecida como pau-doce (Vochysia elliptica), e ao fundo, vegetação do Cerrado (fitofisionomia não identificável).
CONTEXTO HISTÓRICO DO CATETINHO 1:
Originado de uma discussão entre amigos no Juca’s Bar do Ambassador Hotel, no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro de 1956, o Catetinho foi conjecturado pelo grupo de amigos composto por: o violonista Dilermando Reis (1916-1977), o piloto João Milton Prates (1922-1973) e os engenheiros Roberto Penna e Joaquim da Costa Júnior, que enxergaram a necessidade de uma Residência Provisória para Juscelino Kubitschek (1902-1976) acompanhar o cotidiano das obras. A área do Catetinho, localizada atualmente no Trevo do Gama, pertencia à Fazenda do Gama, local próximo a fontes de água e portanto, com presença de mata de galeria. A propriedade foi desocupada no dia posterior à chegada dos trabalhadores, e em pouco mais de 10 dias, entre 18 e 31 de outubro de 1956, ficou pronta a primeira residência oficial de JK, inaugurada em 10 de novembro de 1956. A primeira vez em que o Catetinho foi mencionado no Diário de Brasília em 1956, o edifício era chamado de “Palácio Provisório” e este foi reconhecido como Catetinho em 6 de novembro de 1956. A maioria dos trabalhadores e do empréstimo de materiais veio da empresa de mineração Fertilizantes Minas Gerais S.A. (FERTISA), a qual era de Araxá, Minas Gerais; a obra foi encarregada pelo engenheiro Roberto Penna e pelo engenheiro José Ferreira de Castro Chaves, conhecido como Juca Chaves (1912-?). O “Palácio de Tábuas” foi desenhado por Oscar Niemeyer (1907-2012), projetado com linhas simples e elegantes, tal edifício possui aspectos modernistas seguindo princípios de racionalidade, funcionalidade e beleza. O Catetinho cria o pilotis a partir da sustentação de colunas e varanda no pavimento superior voltado para a fachada principal. Oscar Niemeyer fez o projeto que é praticamente todo de madeira com presença de concreto armado e alvenaria. Este possui uma arquitetura vernacular que pode ser definida como uma tipologia de caráter local ou regional, na qual são empregados materiais e recursos do próprio ambiente onde a edificação está inserida (ArchDaily Brasil, 2020), no caso do Catetinho, as madeiras da mata de galeria presente na Fazenda Gama."
Untitled