"Fotografia em cores, formato paisagem, autor desconhecido. Imagem perspectivada interna, de ângulo baixo e linha do horizonte mais elevada, da varanda da fachada posterior (leste) do Palácio da Alvorada. Em primeiro plano, é retratado esse espaço com suas respectivas colunas, ainda, internamente, sem qualquer tipo de revestimento, isto é, exposto em concreto aparente. No piso, próximo às colunas, encontram-se caixas de ferramentas, fragmentos de blocos cerâmicos e, mais ao fundo, uma caixa e um pequeno monte de área com uma pá fincada. Ainda, na lateral esquerda, um pouco mais distante do fotógrafo, aparece parte de um grande andaime metálico. No enquadramento proposto, é possível identificar a presença de ferragens de espera para a futura instalação das placas de mármore branco. Inclusive, na segunda coluna retratada (da direita para a esquerda) há um terno cinza pendurado nessas hastes metálicas. Também é notório, devido a sobra das peças, que a instalação do revestimento das colunatas já foi iniciada na parte externa. Por último, no canto superior esquerdo, aparece a laje de cobertura da edificação com as marcações das formas que foram empregadas no processo construtivo. Em segundo plano, no horizonte, é feito o registro da paisagem nordeste de Brasília com poucas intervenções, predominando um descampado verde e faixas de vegetação, sendo possível identificar a presença de alguns Buritis (mauritia flexuosa L.).
A fotografia foi feita nos meses finais de 1957, fator que é evidente no exemplar de número 10 da Revista Brasília, publicado em outubro de 1957. Nele, é mencionado que, naquele momento, toda a estrutura de concreto armado já havia sido concluída, bem como boa parte das alvenarias, e a aplicação dos revestimentos externos já havia iniciado.
CONTEXTO HISTÓRICO DO PALÁCIO DA ALVORADA:
O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nível Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021.
CURIOSIDADE: O Palácio da alvorada possui 12 colunatas na fachada posterior (leste) e 10 na fachada principal (oeste), sendo que as de canto são formadas por uma semi-coluna. A forma definitiva é resultado, especialmente, do projeto estrutural, de Joaquim Cardozo (1897 - 1978). Portanto, a curvatura estabelecida foi definida pela função de 4º grau y= 0,037x⁴ - 0,190x³ + 0,381x² -0,048x (ALMEIDA, 2012, p. 86).
Ainda sobre as colunas, o cuidado com tais elementos, por meio da realização de protótipos, é evidente em declarações de Oscar Niemeyer, tal como a feita na Revista Módulo, número 15, de junho de 1960, em que menciona: “Apesar dos prazos curtos demais que Brasília nos dava, com que carinho procuramos construir seus palácios. Lembro a coluna do Alvorada construída no chão, na escala natural, para a fixação perfeita das placas de mármore que a deveriam revestir.”
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