- DFARPDF NOV-D-04.04-B-02-280
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- 1956 - 1957
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"Fotografia em preto e branco, formato retrato, autor desconhecido. Vista em perspectiva da fachada posterior (leste) do Palácio da Alvorada durante o período de construção. Ocupando a parcela esquerda da imagem, em primeiro plano, há a obra da edificação residencial em fase de concretagem dos elementos estruturais importantes. Portanto, é possível visualizar as colunas concretadas, mas com algumas escoras aparentes, especialmente no primeiro arco inferior, no canto esquerdo, e a laje de cobertura com as fôrmas de madeira, suportada por uma grande estrutura de cimbramento, esta composta por escoras de toras de eucalipto e contraventamentos de ripas. No arco mencionado, um operário é registrado saindo da área destinada ao subsolo aflorado, indo em direção ao nível do solo. Neste mesmo plano, na parte direita da fotografia, nota-se o local designado ao jardim de lazer do Palácio, ainda sem nenhum paisagismo. Logo, o solo é retratado exposto e com diversos fragmentos de materiais de construção, tais como mangueiras, tábuas, ripas e pedaços de concreto. Mais ao fundo, sobre este espaço e conectada à fachada, encontra-se a escada de acesso posterior, ainda sem revestimentos. Logo atrás, em segundo plano, é notório uma grande movimentação de terra, provavelmente realizada para a construção da piscina. Também é perceptível a presença de outros operários atuando no canteiro de obras. Por último, em terceiro plano, há a vista da paisagem natural norte com poucas intervenções humanas.
CONTEXTO HISTÓRICO DO PALÁCIO DA ALVORADA:
O Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, situa-se às margens do Lago Paranoá e foi o primeiro edifício de alvenaria inaugurado em 30 de junho de 1958 no embrião de Brasília. Considerado um dos grandes ícones da Arquitetura Moderna brasileira, seu projeto foi concebido por Oscar Niemeyer (1907-2012), o engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) responsabilizou-se pelo cálculo estrutural e a execução ficou a cargo da Construtora Rabello SA. É um edifício horizontalizado em concreto armado revestido de mármore branco e vedado com cortina de vidro, levemente suspenso do chão, circundado em toda sua extensão por esbeltas colunas brancas de curvas cônicas, que perpassam sua função estrutural e constituem um dos elementos mais emblemáticos da composição plástica do Palácio. Na fachada frontal, a entrada principal é direcionada por um espelho d’água, reforçando a intenção de leveza da arquitetura, e abriga a escultura “As Iaras”, obra de autoria do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Além do edifício principal, o conjunto do Alvorada conta com bloco um semienterrado de serviço e com uma pequena capela anexa, cuja expressão pictórica remete à obra do arquiteto Modernista Le Corbusier (1887-1965) da “Chapelle Notre-Dame du Haut” (Capela Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela Ronchamp, localizada na França. O projeto de paisagismo é de autoria de Yoichi Aikawa, na época jardineiro do Palácio Imperial do Japão, e complementado nos anos 90 pela arquiteta e paisagista Alda Rabello Cunha (1929-2021). O conjunto do Palácio da Alvorada foi tombado a nível Federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 22 de abril de 2021.
CURIOSIDADE: O Palácio da alvorada possui 12 colunatas na fachada posterior (leste) e 10 na fachada principal (oeste), sendo que as de canto são formadas por uma semi-coluna. A forma definitiva é resultado, especialmente, do projeto estrutural, de Joaquim Cardozo (1897 - 1978). Portanto, a curvatura estabelecida foi definida pela função de 4º grau y= 0,037x⁴ - 0,190x³ + 0,381x² -0,048x (ALMEIDA, 2012, p. 86).
Ainda sobre as colunas e a capela, o cuidado com tais elementos, por meio da realização de protótipos, é evidente em declarações de Oscar Niemeyer, tal como a feita na Revista Módulo, número 15, de junho de 1960, em que menciona: “Apesar dos prazos curtos demais que Brasília nos dava, com que carinho procuramos construir seus palácios. Lembro a coluna do Alvorada construída no chão, na escala natural, para a fixação perfeita das placas de mármore que deveriam revestir. O mesmo ocorreu com a capela, feita primeiro em tijolo com o mesmo objetivo”.
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