- DFARPDF NOV-D-04.04-B-13-51
- Pièce
- 30/08/1958
Fait partie de Sans titre
Fotografia em preto e branco no formato paisagem da fachada do Brasília Palace Hotel em perspectiva, entre os anos de 1957-1960 em Brasília - DF, com fotografia retirada em 30/08/1958. Vista transversal da fachada frontal do hotel e, ao lado, a forte movimentação de operários e maquinários no canteiro de obras. Da esquerda para a direita: aproximadamente 17 trabalhadores se distribuem em volta do trator, estando três - em primeiro plano - revolvendo a pilha de terra à frente; ao lado, um grupo de 6 trabalhadores, estando 4 posicionados em duplas paralelas a uma espécie de carriola e dois ao chão - um sentado e um de pé, ambos com chapéu - conversam entre si; atrás deste grupo, dois operários caminham entre os materiais de obra; entre os pilares do edifício, um grande maquinário, pilhas de materiais de obra e um trabalhador. À frente do grande bloco, um carretel de madeira. Atrás do mesmo bloco, notam-se mais pilhas de brita e terra debaixo da marquise do segundo bloco térreo. Ao fundo, três instalações de apoio aos operários. Um andaime de madeira ainda permanece em parte da fachada frontal com 3 trabalhadores executando ajustes no cobogó, aparentemente sem quaisquer equipamentos de segurança, a não ser pelo capacete que apenas um deles utiliza. No período da construção de Brasília os acidentes de trabalho eram comuns devido à ausência ou limitação de equipamentos de proteção essenciais fornecidos, além de serem escondidos os relatos das manchetes e jornais. É possível ver que, por mais que possuíam capacetes, os operários não tinham cordas, mosquetões ou apoios que o mantivessem presos à estrutura naquela altura. Como relatado em áudios transcritos de trabalhadores da época: ...“Você parava por ali assim, e dava uma olhada na Esplanada dos Ministérios, sempre à tardezinha, à noite. Meu Deus do céu! Parecia fogos de artifício. Era o cidadão trabalhando, peão, gente caindo, muita gente morrendo. Não cuidava muito da segurança, tinha que fazer. E foi fazendo.” (DE FARIA, 1989 apud VIDESOTT, 2009). A linha do horizonte contextualiza o ambiente - até então, pouco habitado dado aos primeiros anos da construção de Brasília - em torno do que veio a ser a península do lago Paranoá. Torna-se nítido a presença do Cerrado, que se estende pelo horizonte. Na terço inferior do registro, nota-se a ocorrência de ação antrópica devido a área descampada destinada a locação do edifício, sem a presença de árvores e gramíneas, aparente uso de maquinário para retirada e planificação de terra. Autor da fotografia: Mario Fontenelle
Sans titre